Olhos molhados, cabeça baralhada, coração enraivecido.
Fiz de pessoas normais, reis e princesas, super heróis de histórias onde apenas deviam estar como figurantes. Imaginei contos com finais felizes, onde as personagens me rodeavam e se podia dizer que seriam felizes para sempre. Construi o primeiro andar sem fazer o rés-do-chão e a casa acabou por cair.
Erros e mais erros, humana ou não acabei por os cometer e a desculpa não será como tantas vezes foi, todos erramos.
Talvez, talvez todo o homem erre, talvez a maior parte se arrependa, e talvez eu como todos eles apenas tenha errado, mas não o encaro assim, as escolhas não foram as certas, as personagens não digo que tenham sido amadoras, apenas não entraram na história certa, ou no fundo talvez eu não estivesse na história certa, o cargo de personagem principal talvez me tenha iludido e eu tenha fechado os olhos a muita coisa para apenas continuar a sê-lo.
E agora, como será se esta história ficar sem a personagem principal?
As lágrimas escorrem-me pela cara, quero sair já, saltar do palco e correr, correr horas seguidas, para um lugar distante, onde eu saiba que não me vão encontrar.
Vou sentir saudades, vou sofrer, vou perder ombros amigos, mas ou salto do palco, ou vou continuar a enganar uma plateia, mostrando a felicidade no rosto quando por dentro estou um caco? Não o posso fazer, não é só por eles mas acima de tudo por mim, enganei-me tanto que agora já chega.
Vou saltar do palco, correr para fora desta história, está na altura de fazer a minha história, seremos todos personagens principais, ninguém é príncipe nem super herói, haverá apenas meras pessoas, mas com os corações verdadeiramente sinceros.
carf.
