Dás por ti no teu quarto. Sim, no TEU quarto, aquele que cheira a ti,
em que cada pedaço é a tua história e cada foto bocados de ti.
Aqui estás tu, talvez de férias, talvez de regresso por uns meses, sem
saber bem o que vai acontecer daqui para a frente, tens uma única certeza, de
momento recordar é viver.
Só estás aqui porque até hoje estives-te a quilómetros, no lugar ao
qual podes chamar recomeço. Lá ressuscitas-te deixas-te de ser o que eras e
passas-te a ser o que és, cresces-te, aprendes-te, superas-te medos e mudas-te
o teu sentido de amizade.
Um ano mudou-te completamente, não sabes bem porquê mas tua vida
passou a ter pequenas coisas que realmente fazem sentido. Pisar aquela cidade
fez de ti mulher, ensinou-te a sorrir e a viver cada dia, fez-te acreditar que
os amigos existem e que podem ser as pessoas mais improváveis de sempre.
Amigos, aquela palavra que agora dizes sem medo, na qual acreditas e
esperas continuar a acreditar, vindos de cada canto, cada um à sua maneira,
tornaram-se bocados de ti. Na verdade, talvez não o saibam, nem o percebam mas
são a razão pela qual Coimbra faz sentido. O curso é o que escolhes-te, a
cidade aquilo que sonhavas, o espirito académico indescritível, mas os amigos,
esses são o improvável aquilo que jamais podes definir mas que te fazem ganhar
força para continuar quando nem eles sabem isso.
Gostavas que cada um deles soubesse, que independentemente do amanha,
ninguém mudará o que significaram para ti este ano. Não és a má pessoa que
pensam, não tens o mau feitio que pensam que tens, não és tão forte como pensam
que és. Tens medos, choras facilmente e preocupas-te muito com as pessoas sem
que elas se apercebam, mas a vida muda-nos e ensina-nos que por vezes é mais
fácil criarmos mascaras e coletes de forças só esses nos ajudaram a superar a
crueldade da vida sem que nos magoemos a cada dia.
Por isso, obrigada Patrícia pelo teu mau feitio, pela tua casmurrice,
por termos partilhado um semestre com todos os nossos defeitos e diferenças…
Joana, por seres uma mãe galinha, por não me deixares dormir e por lá estares
sem dares por isso… Micael, por me irritares a toda a hora, por seres essa
força vida… Vanessa, por seres imprevisível, pela lágrima fácil e pela tua
energia contagiante… Joana Julião por cada vez que nos desmanchámos a rir sem
ser suposto e Flávio obrigado por conseguires ser realmente
importante apesar de tudo o que fazes para me irritar. Obrigada aos seis, por
serem vocês mesmos, por me aturarem e por me ajudarem a perceber que os amigos
existem. Obrigada Clara pela madrinha que és, por me ajudares a viver Coimbra…
E Obrigada Rute por teres lá estado desde o primeiro momento.
Se Coimbra acabasse hoje, Levava-vos comigo p’ra vida.
Mas, Coimbra não acaba, nunca acabará… isto é só um pequeno intervalo.
Carf.