Dei por mim a rir sem sentido, ironicamente estava a voltar a escrever e o calendário ao meu lado dizia que estava a fazer três anos que tudo tinha começado.
À três anos tinha escrito um dos meus primeiros textos assinados por ‘’carf’’ e começava aí uma paixão improvável, eu e as letras desabafávamos horas e horas sem termos de nos justificar.
Indirectamente és tu a razão dos três anos, indirectamente foi graças a ti que comecei a escrever, tu que durante três anos tens feito parte de mim, hoje perto e amanha demasiado distante para o meu coração entender, mas tens sido sempre tu.
De maneira inexplicável apareceu um ‘’nós’’ que as letras uniram, mas que a insegurança e ambição do ser humano separaram e hoje não é mais do que um ‘’eu’’ e um ‘’tu’’.
Custa acreditar que te perdi, que nada será como foi, mas na vida tudo tem um tempo e talvez o nosso tenha passado ou quem sabe ainda nem tenha chegado e tudo isto seja apenas uma aprendizagem.
A verdade é que passados três anos, depois de uma longa paragem, o gosto voltou a despertar em mim, talvez não seja mais um acaso da vida, mas sim a prova que nada acontece por acaso.
Em cada letra que escrevo volto a pensar se não estarei eu novamente a desabafar com o papel, por sentir que não posso desabafar contigo, a verdade é que as saudades que eu sentia de escrever são as saudades que sinto de ti, do nós.
carf.
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